Suplementação de spirulina no esporte para a redução do estresse oxidativo

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O estresse oxidativo corporal é uma condição comum na prática esportiva. É caracterizado como um desequilíbrio entre a produção de radicais livres e o sistema de defesa antioxidante endógeno, levando ao acúmulo de danos oxidativos, bem como ativação de vias de sinalização associadas ao estresse e desenvolvimento de condições patológicas, principalmente doença cardiovascular, resistência à insulina e disfunção no metabolismo lipídico.

 

No decorrer do exercício físico, a captação de oxigênio aumenta, em torno de 10 a 20 vezes para os músculos esqueléticos ativos, mecanismo responsável por gerar maior produção de espécies reativas de oxigênio (EROS) e radicais livres. Esses componentes interagem de forma negativa com as macromoléculas biológicas, especialmente DNA, ácidos graxos poli-insaturados, aminoácidos e proteínas ativas. O aumento da taxa metabólica e o consumo de oxigênio pelas fibras musculares, além da diminuição do pH intramuscular durante o exercício, podem acelerar essa produção de radicais livres. Os principais locais de geração de EROs nos músculos são mitocôndrias, xantina oxidase, fosfato de nicotinamida adenina dinucleotídeo (NADPH) oxidase, processos dependentes de fosfolipase A2 e algumas células imunológicas, incluindo macrófagos, monócitos, eosinófilos e neutrófilos. Outros mecanismos também são associados a produção de EROS no esporte, como o aumento dos níveis de catecolaminas, liberação de metamioglobina do músculo lesado e a interação da metamioglobina e da meta-hemoglobina com os peróxidos de hidrogênio.

O papel dos antioxidantes dietéticos na contribuição para equilibrar o sistema antioxidante corporal e prevenir danos provocados pelo excesso de radicais livres durante a prática esportiva é identificado em recentes pesquisas cientificas. É preciso ressaltar que investigações mais atuais relatam que a produção de EROS mitocondrial no músculo durante o exercício é programada e essencial para as principais vias de sinalização associadas à adaptação muscular ao exercício. Contudo, o excesso desses radicais pode levar ao comprometimento celular em longo prazo, por isso, a adequação nutricional se faz necessária.

Dentre as funções investigadas dos antioxidantes exógenos, destacam-se a proteção contra lesões mediadas por radicais livres, tanto por ação direta, quanto por indução na produção de antioxidantes endógenos. Essas funções incluem a conversão de EROS em moléculas menos ativas e a indução de algumas enzimas antioxidantes importantes, como glutationa peroxidase e superóxido dismutase.

Estudos comprovam a eficácia antioxidante dos fitoquímicos presentes na spirulina, alga verde-azulada composta por moléculas funcionais, como a ficocianina, o ?-caroteno, o tocoferol, o ácido ?-linolênico e compostos fenólicos. Para comprovar sua eficácia, um estudo avaliou os efeitos da suplementação de spirulina na prevenção de danos ao músculo esquelético, em um modelo de teste físico. A amostra foi composta por 16 estudantes suplementados com Spirulina platensis, além de sua dieta normal por 3 semanas. Foram coletadas amostras de sangue após o término do exercício de esteira incremental, antes e após o tratamento. Os resultados mostraram que as concentrações plasmáticas de malondialdeído (MDA) foram significativamente diminuídas após a suplementação com spirulina. Além disso, a atividade da enzima superóxido dismutase sanguínea aumentou de forma significativa. Outro efeito observado com a suplementação foi um maior tempo até a exaustão, sugerindo que os benefícios antioxidantes desencadeados pelos componentes nutricionais da alga demonstraram efeito preventivo do dano muscular durante o exercício total.

A modulação antioxidante no esporte é uma estratégia eficiente para prevenir efeitos deletérios musculares desencadeados pelo excesso de produção de radicais livres. Contudo, deve ser feita de forma cuidadosa e planejada, visto que uma quantidade significativa de radicais é esperada para adaptação do músculo durante o exercício físico. O equilíbrio nutricional é a chave para garantir máximo desempenho esportivo.

Fonte: Blog científico NE

 

REFERÊNCIAS

YAVARI, A. et al. Exercise-Induced Oxidative Stress and Dietary Antioxidants. Rev. Asiat. Med. Esport, v. 6, n. 1, p. 1-7. 2015.

OLIVEIRA, C. et al. Potencial nutricional, funcional e terapêutico da cianobactéria spirulina. RASBRAN – Revista da Associação Brasileira de Nutrição. São Paulo, v. 5, n. 1, p. 52-59, Jan-Jun. 2013.

AMBROSI, M. et al. Propriedades de saúde de Spirulina spp. Rev. Ciênc. Farm. Básica Apl., v. 29, n.2, p. 109-117, 2008.

LU, H. et al. Preventive effects of Spirulina platensis on skeletal muscle damage under exercise-induced oxidative stress. Eur J Appl Physiol, v. 98, n. 2, p. 220-6, set. 2006.

KALAFATI, M. et al. Ergogenic and antioxidant effects of spirulina supplementation in humans. Med Sci Sports Exerc., v. 42, n. 1, p. 142-51, jan. 2010.

Corrida de rua e os cuidados na prevenção de lesões.

Campinas terá 40 corridas de rua em 2019 – Ouro Verde Mais

A corrida de rua é a modalidade esportiva que mais cresce no Brasil, assim, ganhando adeptos de todas as idades e classes sociais. Esse crescimento deve-se ao fato de a corrida ser um esporte democrático, praticado em qualquer ambiente e sem a necessidade de equipamentos específicos.

À medida que aumentam as participações em corridas de rua, observa-se um aumento proporcional no número de lesões, seja em atletas profissionais ou amadores.

 

Diversos estudos apontam que as lesões mais comuns são a síndrome femoropatelar e as tendinopatias. O joelho, por sua vez, é a região mais acometida em razão do grande impacto nos membros inferiores, que pode variar de um meio a três vezes o peso corporal do indivíduo.

Alterações musculoesqueléticas ? incluindo fraturas, luxações, distensões musculares e entorses ? são queixas frequentes de corredores de rua em sua totalidade. Os fatores associados envolvem erros de técnica, alongamento e aquecimentos insuficientes e falta de acompanhamento.

Quanto às lesões musculares, sabe-se que a prática rotineira de exercício estimula o desenvolvimento de musculatura específica que, durante o treinamento muscular, pode gerar desequilíbrios das forças que envolvem as articulações, provocando alterações mecânicas e posturais, assim, predispondo os atletas a lesões e a quedas de rendimento.

Em estudo de Rodrigues et al. (2017), avaliou-se a influência do treinamento semanal sobre a incidência de lesões em corredores de rua e o quanto o treinamento resistido contribui para a minimização dessas. Foram aplicados questionários na forma de entrevista em uma amostra de 123 corredores de rua, entre 18 e 69 anos, prestes a realizarem uma prova. As questões referiam-se à distância a ser percorrida na prova e à distância corrida na semana, à ocorrência de lesões nos últimos 12 meses e à prática de exercícios resistidos durante o treinamento.

OS AUTORES OBSERVARAM QUE 21,95% DO TOTAL DE ATLETAS TINHAM SOFRIDO LESÕES NOS ÚLTIMOS 12 MESES DE TREINAMENTO, E QUE 59,36% NÃO REALIZAVAM EXERCÍCIOS RESISTIDOS.

A literatura ressalta que este tipo de treino contribui para a redução de lesões em corredores; desse modo, os resultados do presente estudo corroboram isso. Entre os corredores que afirmaram praticar exercícios resistidos, apenas 16% apresentaram algum tipo de lesão em comparação a 26% dos atletas que relataram não praticar.

Oliveira et al. (2012), também, avaliaram a prevalência de lesões e o local atingido em corredores de rua (n=77) em estudo tipo transversal. Conforme já observado na literatura, a região mais atingida foi o joelho, seguida pela parte posterior da perna.

As lesões musculoesqueléticas apresentam causa multifatorial, sendo importante que a prescrição de treino seja realizada por profissional especializado e considerando o nível do corredor. Além disso, é essencial evitar o aumento brusco da carga semanal, pois isso contribui para o aumento do risco de lesões.

 


REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, D.G. et al. Prevalência de lesões e tipo de treinamento de atletas amadores de corrida de rua. Corpus et Scientia, v. 8, n. 1, p. 51-9, jun. 2012.

RIOS, E.T. et al. Influência do volume semanal e do treinamento resistido sobre a incidência de lesão em corredores de rua. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, v. 11, n. 64, p. 104-9, jan. 2017.

SARAGIOTTO, B.T. et al. Desequilíbrio muscular dos flexores e extensores do joelho associado ao surgimento de lesão musculoesquelética relacionada à corrida: um estudo de coorte prospectivo. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 38, n. 1, p. 64-8. 2016.

SOUZA, C.D.L. et al. Fatores de risco e prevenção das lesões musculoesqueléticas em praticantes de corrida. Revisão de literatura. Lecturas: Educación física y deportes, v. 20, n. 207, ago. 2015.

Saiba como o sono influencia na performance dos atletas.

Saiba como ter um sono reparador; veja dicas - Site RG – Moda, Estilo,  Festa, Beleza e mais

Em diversas modalidades esportivas, os atletas são submetidos a altas cargas de estresse, seja em longas horas de treino ou nas próprias competições. Todo esse esforço resulta em um cansaço que deve ser compensado por meio do sono.

 

A importância do sono reside no fato de ser um processo biológico complexo, com ação reparadora das funções orgânicas, alternado com períodos de vigília. Importante para o crescimento e o desenvolvimento infantojuvenil, o sono contribui para a otimização das funções cognitivas, sobretudo, de aprendizado e memória, bem como na recuperação pós-treino e melhora da performance.

 

Diversos trabalhos ressaltam que tanto a qualidade do sono – e seus distúrbios – quanto os transtornos de humor – como depressão e ansiedade – podem determinar o desempenho dos atletas. Dessa forma, avaliar o tempo total de sono do atleta, bem como a presença de distúrbios, fragmentação e qualidade deste são muito importantes. A literatura aponta que atletas tendem a dormir pior quando as competições se aproximam, quando estão fora de casa e nas vésperas dos eventos.

Em estudo de Bleyer et al. (2015), aspectos como sono, saúde e treinamento foram avaliados em 452 atletas de elite de Santa Catarina. Profissionais de modalidades coletivas (vôlei, futsal, futebol de campo, handebol, basquete) e individuais (atletismo, ginástica rítmica e artística, tiro) responderam ao questionário com informações pessoais, de duração e qualidade do sono, de sono e pesadelos às vésperas das competições, sobre a percepção subjetiva da própria saúde e se receberam instruções quanto ao sono nos treinamentos. De acordo com os resultados, mais de 70% dos atletas relataram pesadelos antes das competições e 48,5% disseram ter poucas horas de sono (menos de oito horas).

A importância do sono também foi comprovada em estudo recente de O’Donnell et al. (2018). O objetivo foi avaliar o cortisol salivar e o percentual de marcadores de estresse durante o treinamento e a competição, além de determinar os efeitos subsequentes no nível de sono de atletas femininas de elite praticantes de netball. O sono das atletas (n=10) foi monitorado em três ocasiões diferentes: após o término da partida, durante o treino e no dia de descanso. Além do nível de cortisol ter sido maior após a partida, o tempo de sono e sua qualidade foram menores em comparação a um dia de treinamento intensivo. Ademais, no dia da competição, o cortisol se mostrou elevado, enquanto a qualidade e quantidade do sono reduziram expressivamente em relação aos dias de treino e descanso. Os autores constataram que o estresse psicológico associado à competição parece exercer importante papel em distúrbios do sono.

Embora não haja uma recomendação específica da quantidade ideal de sono para cada modalidade esportiva, entende-se que, mais do que contribuir na melhora do rendimento, dormir ajuda no desenvolvimento e bem-estar geral do atleta, sendo importante o acompanhamento individual de sua qualidade e duração.

 


REFERÊNCIAS

BLEYER, F.T.S. et al. Sono e treinamento em atletas de elite do Estado de Santa Catarina, Brasil. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 29, n. 2, p. 207-216, abr. 2015.

LIMA, I.F. et al. Avaliação da qualidade do sono em atletas de alta performance. In: 8° CONGRESSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA DA UNESP. Anais… Universidade Estadual Paulista (UNESP), p. 1-7. 2015.

O’DONNELL, S. et al. Sleep and stress hormone responses to training and competition in elite female athletes. European journal of sport science, v. 18, n. 5, p. 611-8, fev. 2018.

TEIXEIRA, F.R.M. et al. Nível de estresse e a qualidade do sono em paratletas de natação. Revista UNI-RN, v.16 v.17, suplemento, p. 247-256, jan. 2017.

Consumo de fruta na prática esportiva: o que a ciência diz?

A importância e os benefícios de incluir frutas na dieta | Receita de Vida | MSD

Uma dieta balanceada é essencial para alcançar melhor desempenho esportivo e para promover e manter a saúde do atleta. Durante o exercício, ocorre o esgotamento dos estoques de glicogênio muscular, a desidratação e os danos musculoesqueléticos que podem comprometer os resultados na prática.

Em exercícios de alta intensidade, os atletas passam por ciclos regulares de estresse fisiológico acompanhados por inflamação transitória, estresse oxidativo e alterações imunológicas, bem como crescentes influências nutricionais. As medidas mais eficazes, especialmente, quando consideradas a partir de uma perspectiva metabolômica, incluem a modulação no consumo de carboidratos e alimentos fontes de polifenóis. O consumo de carboidratos, seja por alimentos ou por suplementos, pode reduzir os níveis de hormônios relacionados ao estresse pós-exercício, a inflamação e a mobilização e oxidação de ácidos graxos. Uma forma eficiente, neste caso, é adequar a ingestão de frutas que, além de contribuir com o aporte de carboidratos, oferece alta concentração de polifenóis e metabólitos com benefícios para a capacidade oxidativa e imunomoduladora.

Um estudo comparou o efeito agudo da ingestão de banana ou de uma bebida composta por carboidratos a 6% (CHO), em 75 km de desempenho cíclico, a fim de avaliar a inflamação pós-exercício, parâmetros de estresse oxidativo e função imunológica inata, utilizando perfis tradicionais e metabolômicos. Para isso, 14 ciclistas treinados completaram dois testes de tempo de ciclagem de 75 km, em modelo randomizado e cruzado. As amostras de sangue pré, pós e 1 hora pós-exercício foram analisadas em relação à presença de glicose, fagocitose de granulócitos (GR) e monócitos (MO) e perfis metabólicos. Dos 103 metabólitos detectados, 56 apresentaram efeitos no tempo de exercício e apenas um (a dopamina) teve padrão de mudança que diferiu entre os dois grupos.  O grupo que ingeriu bananas apresentou maior concentração de dopamina, além de uma produção aumentada de glutationa e utilização de substratos em diferentes vias metabólicas.

A frutose é um tipo de carboidrato com algumas peculiaridades em relação ao consumo. Por oferecer baixo índice glicêmico, metabolismo independente de insulina e rápida absorção hepática, apresenta características que suportam sua indicação como suplemento pré-exercício, principalmente, com o intuito de melhorar o desempenho e prolongar o tempo até a exaustão em exercícios de endurance. Contudo ressalta-se que a forma recomendada de ingestão da frutose deve ser aquela encontrada naturalmente nas frutas, uma vez que sua combinação com a glicose (na fruta) potencializa as respostas metabólicas durante o exercício de força e favorece seu metabolismo imediatamente após o esforço, resultados comprovados em um modelo experimental com homens treinados.

REFERÊNCIAS

GONZALEZ, J. et al. Glucose Plus Fructose Ingestion for Post-Exercise Recovery—Greater than the Sum of Its Parts? Nutrients, v. 9, n. 344, p. 1-15, 2017.

LAMPRECHT, M. Supplementation with mixed fruit and vegetable concentrates in relation to athlete’s health and performance: scientific insight and practical relevance. Med Sport Sci., v. 59, p. 70-85, 2012.

NASCIMENTO, M. et al. Effect of a Nutritional Intervention in Athlete’s Body Composition, Eating Behaviour and Nutritional Knowledge: A Comparison between Adults and Adolescents. Nutrients, v. 8, n. 535, p. 1-14, 2016.

NIEMAN, D. et al. Bananas as an Energy Source during Exercise: A Metabolomics Approach. PLoS ONE, v. 7, n. 5, p. 1-7, 2012.

NIEMAN, D; MITMESSER, S. Potential Impact of Nutrition on Immune System Recovery from Heavy Exertion: A Metabolomics Perspective. Nutrients, v. 9, b. 513, p. 1-23, 2017.

ROSSET, R. et al. Postexercise repletion of muscle energy stores with fructose or glucose in mixed meals. Am J Clin Nutr., v. 105, n. 3, p. 609-617, Mar. 2017.

SÁ, C; FERNADÉZ, J; GRIGOLETTO, M. Respostas Metabólicas à Suplementação com Frutose em Exercício de Força de Membros Inferiores. Rev Bras Med Esporte, v. 16, n. 3, p. 176-181, Mai/Jun. 2010.

SHARMA, S. et al. Paradoxical Effects of Fruit on Obesity. Nutrients, v. 8, n. 633, p. 1-16, 2016.

A importância da alimentação para pessoas com doenças raras

Como retardar o amadurecimento das frutas: saiba mais

O Brasil tem mais de 13 milhões de pessoas com doenças raras, aquelas que afetam até 5 pessoas a cada 10 mil. Tem-se conhecimento, no país, de cerca de 7 de mil dessas doenças, sendo a maioria de origem genética.

Difíceis de diagnosticar, por apresentarem particularidades e sintomas parecidos com doenças comuns, são capazes de gerar danos à saúde do paciente. Um meio de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas é por meio da nutrição e alimentação, que representa um papel essencial à elas.

A alimentação e a nutrição são indispensáveis a quem tem essas patologias. Podendo ser crônicas, progressivas e degenerativas, dar conforto e segurança aos diagnosticados com essas doenças é primordial e a alimentação pode ser um vetor desse processo.

Os alimentos precisam ser prescritos de forma adequada à individualidade de cada pessoa. No Pequeno Cotolengo, a refeição é um momento muito esperado pelos pacientes, como em qualquer família, afinal eles moram lá. Cada refeição é um momento de descobertas, de saborear muito mais que o alimento, de fortalecer vínculos e a identidade. Aprendem-se gestos, se vivem emoções, se proporciona autonomia. O afeto fortalece e gera força motriz para existir no mundo, reconhecer beleza e enfrentar desafios e obstáculos”.

A ideia é que a alimentação seja um momento prazeroso e possa ser uma experiência satisfatória independente do estado da comida, seja sólida, pastosa ou liquidificada, levando cores e sabores novos a cada refeição.

Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras

O Brasil apresenta legislação para dar assistência às pessoas com doenças raras desde 2014. A Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), institui incentivos financeiros de custeio aos necessitados.

Entre doenças raras conhecidas estão a Doença de Crohn, uma síndrome inflamatória do trato gastrointestinal e que ganhou notabilidade no meio da internet por acometer o influenciador Felipe Neto, o Lúpus, doença autoimune, a atrofia muscular espinhal (AME), causadora de problemas nos neurônios motores, o hipopituitarismo (deficiência do hormônio do crescimento), entre outros.

Fonte: CRN-8

Dieta vegana e onívora: conheça relação para ganho de massa muscular

salada de rabanete saudável com ovo e folhas verdes Foto de banco de imagens

Estudo da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP demonstrou como dietas veganas e onívoras podem ter os mesmos efeitos para o ganho de massa muscular. Para isso, seria necessário ter as devidas necessidade proteicas atendidas em ambas as dietas.

O “High-Protein Plant-Based Diet Versus a Protein-Matched Omnivorous Diet to Support Resistance Training Adaptations: A Comparison Between Habitual Vegans and Omnivores” estudou, observando treinamentos de força (a musculação) durante três meses, os ganhos de massa de 38 homens, sendo 19 deles veganos e 19 deles onívoros.

Para que não houvesse discrepâncias quanto às quantidades proteicas em cada indivíduo, foi necessária suplementação proteica específica, pois onívoros obtém proteína de maneira mais simples que veganos. Todos os dias foram ingeridas 1,6 grama de proteína por quilo (kg) de peso. O grupo de veganos recebeu proteína isolada de soja, enquanto os onívoros receberam proteína isolada de leite. Para o professor da USP e um dos autores do estudo, Hamilton Roschel, a suplementação proteica era essencial.

“A ideia era comparar o efeito da fonte proteica nos ganhos musculares em condições de igualdade. Para tal, ambos os grupos deveriam consumir quantidades de proteína suficientes na dieta, distinguindo-se, apenas, a fonte”, explica Roschel.

O resultado foi através da medição de massa magra, passando pela avaliação da área de secção muscular, permitindo observação direta do músculo e, por fim, utilizou-se de biópsia muscular. Essa última análise é feita para observar áreas de fibras musculares anterior e posteriormente ao projeto.

Veganos e a suplementação proteica

Veganos são aqueles que têm uma dieta baseada no consumo de vegetais e verduras. Já onívoro é aquele que consome alimentos de todos os tipos, incluindo-se os de origem animal, como carnes, leite, ovos e afins.

Para obter a demanda proteica exigida, os veganos ainda sofrem com uma dificuldade que onívoros não têm. Todavia, não é impossível ter uma dieta que atinja esse objetivo. “É um pouco mais difícil atingir um consumo proteico elevado só com alimentos em uma dieta vegana, por isso, as pessoas precisam de acompanhamento de um nutricionista para traçar estratégias a fim de atingir o necessário”, complementa Roschel.

Mesmo com essa necessidade de suplementação proteica, os resultados do estudo demonstraram que não há diferença entre a capacidade das fontes quanto ao ganho de massa muscular e suas qualidades para tal. “Essa questão sobre a qualidade da proteína vinha sendo muito discutida sob o ponto de vista mecanístico, mas não sob o aspecto clínico”, finaliza o professor.

Fonte: Jornal USP

A inovação nas formas farmacêuticas na prescrição magistral

Apresentação e forma farmacêutica...

A formulação magistral, termo utilizado para a prescrição de fórmulas manipuladas, destinadas à suplementação nutricional individualizada, vem evoluindo cada vez mais, inclusive, nas apresentações farmacêuticas inovadoras. Mas, por que escolher as formulações magistrais?

As vantagens da formulação magistral!

Essa forma de prescrever manipulados abre a possibilidade de oferecer tratamentos personalizados e únicos, que vão de encontro às necessidades específicas de cada paciente, levando em consideração a melhor via de administração, o veículo, a melhor forma farmacêutica e a dosagem específica, de acordo com o indivíduo e o ativo ou nutriente a ser prescrito, atendendo à risca à individualidade bioquímica do seu paciente, garantir uma prescrição individualizada e eficaz. Ainda, é possível eliminar e substituir excipientes que podem induzir reações adversas e que tenham melhor qualidade, e ainda melhorem a biodisponibilidade do ativo.

Existem legislações vigentes para nortear a prescrição magistral do nutricionista, como a  Resolução CFN Nº 656, de 15 de junho de 2020, além de livros e cursos específicos para agregar mais segurança na conduta clínica.

Forma farmacêutica – Inovação que auxilia na adesão ao tratamento e na sua eficácia:

Com o avanço da tecnologia na área farmacêutica, atualmente existem diversas e inovadoras apresentações farmacêuticas que podem ser utilizadas na hora da prescrição, porém, é importante lembrar que está vedado ao nutricionista produto que use via de administração diversa do sistema digestório. Confira abaixo um guia prático para você conhecer algumas das formas farmacêuticas inovadoras que você pode utilizar na sua prática clínica para prescrever diferentes nutrientes, ativos e probióticos:

Gel comestível – normalmente à base de diferentes tipos de carboidratos, é indicado para praticantes de atividade física, tendo rápida absorção. Pode ser utilizado pré, intra ou pós-treino, sendo prático.

Gomas, chicletes e pirulitos  – abrem uma gama de sabores e combinações, melhorando, inclusive, a aceitação de crianças ou para indivíduos que tenham dificuldade de deglutição. Além disso, podem ser utilizadas de forma a melhorar a adesão de adultos por ser uma forma inovadora. Inclusive, existem alguns ativos que apresentam uma maior biodisponibilidade nesta apresentação, como a cafeína veiculada em chiclete.

Shots – na forma líquida, em embalagem flaconete, que permite facilidade e praticidade. O shot é ideal para crianças, idosos ou pacientes com dificuldade de deglutição, além da efetividade em formulações pré e pós-treino. Além disso, o shot possui uma grande variedade de sabores, garantindo versatilidade na hora da prescrição.

Chocolate – pode ser utilizada uma base de chocolate funcional e com alto teor de cacau, na forma de bombons e até cremes. Incorpora diversos nutrientes e ativos, além de propiciar ainda mais benefícios, pelo fato de ser fonte de polifenóis, l-triptofano, entre outros.

Sachê – após a sua dissolução em veículo líquido, como água, pode se transformar em sucos, sorvetes, chás, cappuccinos, shakes e sopas. Sua forma individualizada proporciona maior praticidade de uso e de transporte, sendo indicado para aquelas formulações que combinam alta concentração de nutrientes ou ativos. Indicado para crianças e pacientes com dificuldade de deglutição, ou que precisam de uma forma prática para transportar o suplemento.

Iogurtes – são uma ótima aposta de fórmulas farmacêuticas diferenciadas, facilitando a adesão das crianças e até mesmo idosos aos tratamentos diversos. Existem bases de iogurte sem adição de açúcares.

É de suma importância que o nutricionista se certifique junto ao farmacêutico se a forma farmacêutica solicitada em prescrição é viável.

Fonte: Revista Nutri Online

Levedura Nutricional: Funcionalidade e Sabor nas suas Prescrições!

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Os brasileiros consomem, em média, 9,34 gramas de sal por dia, segundo a FIOCRUZ (2019), o que representa quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 5 gramas. Este hábito relaciona-se com o crescente aumento da prevalência da hipertensão arterial, uma das principais doenças crônicas no país e que leva a um maior risco de consequências graves, como o infarto.

Assim, diante desse cenário, é de suma importância incluir estratégias que reduzam o consumo de sal, inclusive através de temperos mais saudáveis e sustentáveis que a indústria de alimentos vêm criando para atender esta demanda dos profissionais da saúde e dos consumidores. Um item que está se tornando comum nas prescrições ou na rotina dos pacientes que buscam por opções mais saudáveis é o nutritional yeast ou levedura nutricional.

Este tempero funcional é elaborado a partir do fungo inativado Saccharomyces cerevisiae, o qual se prolifera em ambientes ricos em carboidratos, como cana-de-açúcar ou beterraba, que, posteriormente é transformando em pó pela indústria para sua comercialização.

Permite realçar o sabor dos alimentos de forma natural, graças à presença de ácido glutâmico livre, aminoácido não-essencial que aumenta a habilidade das papilas gustativas de sentir o gosto, além de ofertar uma alta densidade nutricional, como fibras, vitaminas do complexo B, minerais e até proteínas, sendo um alimento interessante para ser inserido na rotina de pacientes veganos. Ainda, é extremamente versátil, podendo ser usado em diferentes preparações, como pipoca, saladas, omeletes, tortas, crepiocas, entre outras.

Confira 4 marcas brasileiras de levedura nutricional que valem a pena incluir nas suas condutas clínicas:

1. Linha Nutritional Yeast – Naiak
Linha 100% natural e vegana, formulada com extrato de levedura inativada obtida a partir de tecnologia francesa e totalmente isenta de glúten, soja e adição de sal. Está disponível nos sabores Vegan Cheese, que mimetiza sabor de queijo e Veggie, Italian Vegan e Cúrcuma Hot Mix, sendo o diferencial a utilização de especiarias e alimentos desidratados em pó em sua formulação, agregando ainda mais funcionalidade a este tempero.

Conheça mais no site.

2. Nutryeast (Nutritional Yeast Flakes) – Equaliv
Formulada com extrato de levedura nutricional inativada a partir de tecnologia francesa, é livre de glúten e soja. Vegana e com sabor natural, vem na forma de flocos crocantes que agregam sabor e nutrientes a diferentes preparações.

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3. Linha Nutritional YeaSt – Pura Vida
Linha de levedura nutricional formulada em parceria com o chef Marcelo Facini, é 100% natural, isenta de sal refinado, glúten e aditivos artificiais, além de ser vegana. Vem em pó e é sinônimo de inovação, devido às 4 opções diferenciadas de sabor – Chicken Free, Bacon Free, Beef Free e Cheese Free, que permitem alta versatilidade de uso nas preparações.

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4. Nutritional Yeast Flakes – Nutrify
Originado de uma cultura pura de Saccharomyces cerevisiae inativado, o Nutri Yeast Flakes Nutrify é uma levedura nutricional que agrega sabor e valor nutritivo às receitas sem causar nenhuma alteração física nas mesmas. É livre de ingredientes de origem animal, glúten e lactose e tem textura crocante e sabor similar ao do queijo parmesão.

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Fonte: Revista Nutri Online.

Guia nutricional prático e atualizado para ITU de repetição

Dor de barriga: quais as causas e como combatê-la?

As infecções urinárias do trato urinário (ITUs) é uma das mais comuns infecções bacterianas em mulheres, sendo uma doença recorrente neste público, o que afeta de forma expressiva a qualidade de vida, além de ser uma das principais causa par auso de antibióticos.

Por que é mais frequentes nas mulheres?

A literatura científica aponta que cerca de 20 a 30% das mulheres terão ITU de repetição, as quais são definidas como 2 ou mais episódios nos últimos 6 meses ou 3 ou mais episódios nos últimos 12 meses. A chance de ocorrer no público feminino é o dobro do que no masculino, sendo que essa prevalência aumenta com a idade. Esse fato relaciona-se principalmente em razão da anatomia do trato urinário das mulheres, que possuem a uretra mais curta e, também, pelo fato dos homens terem um maior fluxo urinário e a presença do fator antimicrobiano prostático.

Além da anatomia, a microbiota vaginal desempenha um papel importante na patogênese das ITUs. O passo inicial na patogênese da ITU é a colonização do introito vaginal e periuretra com os uropatógenos infectantes, seguida pela ascensão dos uropatógenos através da uretra até a bexiga e, às vezes, até os rins, para causar infecção.

Assim, a compreensão dos fatores que afetam a microbiota da vagina é a chave para compreender a patogênese da ITU e projetar intervenções para prevenir as ITUs. A presença de disbiose vaginal, causada, por exemplo, pela redução dos níveis de estrogênio, tratamentos com antibióticos e, potencialmente, o uso de produtos com espermicida, pode levar à redução do gênero Lactobacillus, o qual gera proteção ao ambiente vaginal, pode aumentar a chance do desenvolvimento de ITU (STAPLETON, 2016).

O papel da nutrição nas ITUs de repetição

Pensando no impacto do bem-estar feminino que esta desordem causa, principalmente devido ao uso frequente de antibióticos, é necessário pensar em estratégias alternativas e até mesmo preventivas das ITUs de repetição, como a prescrição de suplementos nutricionais!

Cranberry + própolis
Diversos estudos já demonstraram os benefícios da suplementação com cranberry (Vaccinium macrocarpon) na prevenção de ITUs. Isso provavelmente devido à ação das proantocianidinas presentes nesta fruta, que parecem inibir a adesão da E. coli ao epitélio do trato urinário, assim, dificultando a sua colonização e, consequentemente, a infecção. Porém, recentemente, a literatura científica vem apontando a eficácia da suplementação combinada entre o cranberry e a própolis, em que este composto parece intensificar os benefícios do cranberry (RANFAING et al., 2018). Bruyère et al. (2019), em um estudo multicêntrico, randomizado e controlado por placebo, avaliaram os efeitos da suplementação combinada entre própolis e cranberry em mulheres com ITU recorrente. O grupo de intervenção contou com 42 mulheres; e o placebo, 43, sendo a idade média 53 anos e uma média de 6 episódios de cistite ao ano. O grupo de intervenção teve número significantemente menor de ITU recorrente e número médio de infecções foi menor no grupo própolis + cranberry, além do tempo médio para o início da primeira ITU também ter sido significativamente maior no grupo própolis + cranberry.

Probióticos
Das (2020) reúne evidências de que a suplementação com probióticos na prevenção de ITU de repetição, como Lactobacillus rhamnosus GR-1, Lactobacillus fermentum RC-14 ou mix de probióticos (L. rhamnosus, B. lactis e B. longum) é uma estratégia eficaz para reduzir a frequência de ITU. Além disso, o consumo de produtos lácteos fermentados contendo bactérias probióticas também é capaz de reduzir a recorrência de ITU.

Ácido hialurônico + condroitina
Para manter o epitélio da bexiga íntegro, de forma a conservar sua capacidade de combater infecções, essas células produzem glicosaminoglicano polissacarídeo sulfatado (GAG), que recobre o epitélio e forma um fator de antiaderência não específico e é formado majoritariamente por ácido hialurônico e sulfato de condroitina. Alguns fatores secretados por E. coli e outros patógenos são capazes de danificar a camada de GAG para preparar sua adesão e potencialmente, a suplementação combinada desses dois nutracêuticos, associada com cúrcuma e quercetina, é capaz de auxiliar na prevenção de ITUs de repetição.

Fonte: E4 Nutrition

REFERÊNCIAS

GUGLIETTA, A. Recurrent Urinary Tract Infections in Women: Risk Factors, Etiology, Pathogenesis and Prophylaxis. Future Micobiology, v. 12, p. 239-246, 2017.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Notícias. https://sbn.org.br/verao-aumento-dos-casos-de-infeccao-urinaria/

FLORES-MIRELES A.L.,et al. Urinary tract infections: epidemiology, mechanisms of infection and treatment options. Nat Rev Microbiol. v.13, n.5, p.269–284, 2015.

STAPLETON, A.E. The Vaginal Microbiota and Urinary Tract Infection. Microbiol Spectr., v.4, n.6, p.10, 2016.

DAS, S. Natural therapeutics for urinary tract infections-a review. Futur J Pharm Sci, v.6, n.1, p.64, 2020.

LOUBET, P. et al. Alternative Therapeutic Options to Antibiotics for the Treatment of Urinary Tract Infections. Front Microbiol, v.11, p.1509, 2020.

FU, Z. et al. Cranberry Reduces the Risk of Urinary Tract Infection Recurrence in Otherwise Healthy Women: A Systematic Review and Meta-Analysis. The Journal of Nutrition, v.147, v.12, p.2282-228, 2017.

BRUYÈRE, F. et al. A Multicenter, Randomized, Placebo-Controlled Study Evaluating the Efficacy of a Combination of Propolis and Cranberry (Vaccinium macrocarpon) (DUAB®) in Preventing Low Urinary Tract Infection Recurrence in Women Complaining of Recurrent Cystitis. PLoS One. v.13, n.8, 2018.

RANFAING, J. et al. Propolis potentiates the effect of cranberry (Vaccinium macrocarpon) against the virulence of uropathogenic Escherichia coli. Sci Rep., v.8, p.10706, 2018.

SCHIAVI, M. C. et al. Orally Administered Combination of Hyaluronic Acid, Chondroitin Sulfate, Curcumin, and Quercetin in the Prevention of Postcoital Recurrent Urinary Tract Infections: Analysis of 98 Women in Reproductive Age After 6 Months of Treatment. Female Pelvic Med Reconstr Surg., v.25, n.4, p.309-312, 2019.

TORELLA, M. et al. Efficacy of an orally administered combination of hyaluronic acid, chondroitin sulfate, curcumin and quercetin for the prevention of recurrent urinary tract infections in postmenopausal women. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol, v.207, p.125-128, 2016.

SELETIVIDADE ALIMENTAR: O QUE É E COMO TRATAR

Seletividade alimentar na criança – Como lidar? – Clínicas Integradas

A diversidade alimentar é uma das principais fonte de saúde. É o ponto inicial para que, em conjunto com a atividade física, o sono de qualidade e a gestão do estresse, consigamos nos desenvolver e nos manter saudáveis. Por isso, devemos sempre buscar uma dieta variada e equilibrada.

Por outro lado, quando rejeitamos diversos tipos de alimentos, podemos privar nosso organismo de categorias de nutrientes importantes. É o caso de pessoas que “não comem frutos do mar” ou rejeitam qualquer tipo de “salada”. Esta prática é denominada seletividade alimentar.

Nesses casos, para ampliar nossa dieta é preciso vencer barreiras e restrições, muitas vezes iniciadas na infância. Saiba neste texto mais sobre a seletividade alimentar e como é feito o tratamento para superar essas barreiras.

O que é seletividade alimentar

A seletividade alimentar é atualmente classificada como Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE). Mais do que apenas ser um comedor exigente, a pessoa com seletividade alimentar costuma ter aversão sensorial a certos sabores, texturas ou cores, chegando a desenvolver fobia de determinados alimentos. Como resultado, se alimentam com uma dieta muito restrita, afetando principalmente a ingestão de micronutrientes, como vitaminas e minerais.

Seletividade é diferente de alergia alimentar

É importante ressaltar que o desenvolvimento de reações alérgicas a alimentos como frutos do mar, por exemplo, não se enquadra como Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo. Nesse caso, e também quando há rejeição a alimentos com glúten e lactose, por exemplo, trata-se de uma reação anormal do sistema imunológico, que, no intestino, confunde esses alimentos com ameaças ao organismo.

Características das pessoas com seletividade alimentar

Os transtornos alimentares seletivos podem afetar adultos e crianças, que apresentam sintomas psicológicos como ansiedade e depressão, bem como convívio social prejudicado. Além disso, há outras características em comum:

  • Comer apenas alimentos que são vistos como seguros ou aceitáveis, evitando alimentos com um sabor, textura ou cor particular;
  • Normalmente a escolha é sempre pelos mesmos alimentos;
  • Sentir aversão a grupos alimentares inteiros, como frutas, vegetais ou leguminosas;
  • Ficar angustiado quando é encorajado a experimentar alimentos diferentes, seja por causa de uma fobia ou medo de engasgar ou vomitar;
  • Apresentar náusea e vômito ao se deparar com a necessidade de comer novos alimentos;
  • As crianças fecham a boca para evitar de qualquer maneira a ingestão de um alimento diferente.

É importante destacar que a maioria das pessoas com seletividade alimentar não tem problemas de peso e geralmente está dentro da faixa normal de índice de massa corporal (IMC). Também é comum que não apresentem carência de macronutrientes, sofrendo, no entanto, de falta de micronutrientes.

Possíveis causas da seletividade alimentar

Os estudos indicam que, na maioria das vezes, o transtorno alimentar seletivo tem início na infância. Confira alguns pontos importantes no processo de formação do paladar da criança:

  • amamentação é um facilitador para aceitação de novos alimentos, já que as variações na dieta da mãe se refletem nas características sensoriais do leite materno. Assim, quanto mais variada a dieta da mãe, mais variado tende a ser o paladar da criança;
  • Por outro lado, é recomendado que não se atrase na introdução gradual de alimentos sólidos na dieta do bebê. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, este processo deve ter início aos 7 meses. Nesse período é ainda mais importante alternar as formas de preparação e textura dos alimentos oferecidos;
  • maneira de oferecer alimentos também deve ser variada, como alternar entre dar comida na boca ou deixar comer sozinho, assim como oferecer os alimentos em diferentes locais da casa;
  • A família e os cuidadores devem prezar pelo ambiente onde a criança de alimenta. Se um ambiente é agradável e novos alimentos são oferecidos sem coação, a criança fica muito mais disposta a desenvolver preferência por eles.

Transtorno alimentar em pessoas com autismo

A maioria das pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo apresenta também diagnóstico de Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo. Isso porque os diferentes cores, cheiros e sabores dos alimentos podem tirá-las de suas zonas de conforto. Como esses pacientes apresentam comportamentos restritivos, seletivos e ritualísticos, essas variações tendem a resultar em desinteresse e recusa para determinados alimentos.

Como tratar a seletividade alimentar

A confirmação do diagnóstico de transtorno alimentar deve ser feita por um nutricionista ou médico, com base em exames e na história clínica dos sintomas. Esse profissional poderá verificar a presença de outros problemas que possam levar à rejeição da alimentação, como alergia, dificuldades para mastigar e deglutir ou problemas gastrointestinais.

Por ser um distúrbio de classificação relativamente recente (2017), ainda não existe um protocolo estabelecido para tratamento do Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo. O que vem sendo praticado é uma abordagem multidisciplinar, com participação de nutricionista, psiquiatra ou psicólogo e clínico geral ou pediatra. Neste contexto, algumas práticas vêm demonstrando bons resultados.

O ponto de partida do tratamento do transtorno alimentar está na aceitação do diagnóstico pelo paciente, que toma consciência dos efeitos da seletividade alimentar para a saúde do seu organismo e para suas relações sociais. Neste momento também é importante que os pais ou companheiros do paciente tomem consciência e se engajem ativamente no tratamento.

Tendo em mente que este é um tratamento de avanço lento, o profissional pode sugerir e acompanhar algumas ações:

  • Todos devem prezar por um bom ambiente de refeições, seguindo conceitos como o mindful eating, que descarta o uso de eletrônicos à mesa e defende uma ligação maior com a comida. Devem ser evitadas discussões ou cobranças no momento da alimentação, deixando o paciente livre para escolher e quantificar o que vai comer;
  • Combinar com o paciente a introdução pontual de cada novo alimento ou forma de preparo, ressaltando as semelhanças com alimentos aceitos e sua importância para a saúde. A dieta do paciente deve ser a mesma dos outros moradores da casa; 
  • Administrar a ansiedade por resultados por parte do paciente e de seus pais ou companheiros, evitando que a cobrança por avanços venha a prejudicar o engajamento e a própria continuidade do tratamento;
  • Monitorar a carência de micronutrientes e, quando houver necessidade, receitar suplementos alimentares que supram essas necessidades.

Fonte: Essential Nutrition